SERÁ QUE ELE É?
- bolacho clube
- 1 de set. de 2024
- 2 min de leitura

Eu já estava começando a desconfiar que Eduardo poderia, sim, ser um vampiro.
Eu estava totalmente por dentro do assunto, tinha visto todos os filmes sobre o tema, jogado RPG de mesa e lido muitos livros, e sim, muitas coisas batiam: sua pele era mais pálida, sempre foi mais fácil encontrá-lo à noite do que à luz do dia, nunca o vi indo à igreja e ele odiava macarrão alho e óleo. Para mim, estava muito óbvio. Mas eu precisava confrontá-lo e saber a verdade, mesmo que, independentemente de ele ser realmente um vampiro ou não, continuaria a amá-lo, pois o amor verdadeiro não tem preconceitos entre espécies. Passei o resto da semana ensaiando na frente do espelho como abordar o assunto com ele, mas não consegui me concentrar direito, pois meu lindo e esbelto reflexo me tirava a atenção. Que pele hidratada, que bunda perfeitamente redondinha, que gostosa que sou…Mesmo com a bênção da beleza, essa dúvida cruel sobre meu amado ser ou não ser um vampiro me consumia.
Eis que tomei coragem e marquei de me encontrar com ele, obviamente, em um lugar que fosse seguro para mim e onde, caso minhas suspeitas se confirmassem, ele não conseguiria me fazer mal. O melhor lugar que pude pensar, claro, era no meio da floresta, depois que o sol já havia se posto.
Chegando ao lugar marcado, olhando nos lindos olhos daquele maravilhoso homem, indaguei sobre seu comportamento, suas ações, e lhe disse em alto e bom som:
”Eu sei o que você é.”
Ele prontamente respondeu: ”Oi? Como assim?”
“Não se faça de sonso, Eduardo, eu sei o que você é… você é um VAMPIRO.”
E ele, em um misto de risada e tosse forte, pois claramente estava fraco devido à falta de consumo de sangue, sugeriu que eu era doida. Debatemos por um bom tempo e, depois de uma longa conversa e de ele me mostrar alguns exames, eu compreendi que seu modo de agir nos últimos dias, sua pele extremamente pálida e sua fraqueza constante, na verdade, não passavam de uma forte anemia que ele havia contraído, mas que já estava em tratamento. Muito constrangida e morrendo de vergonha, disse que já sabia e que estava só brincando. Nesse momento, compreendi que a vida não é um conto de fadas e que anemia é coisa séria.
Conto escrito por: Lucas Zanata.
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